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Entrevista Toquinho

Entrevista Toquinho

Eliane de Araujoh

Toquinho 03Eliane de Araujoh, comunicadora da Rádio Mundial – FM 95,7  participou de vários programas de Rádio e Televisão sempre enfocando a auto ajuda e o crescimento pessoal com alto astral. Ficou muito conhecida pelas suas historinhas. Através de histórias simples e diretas sempre passa uma mensagem de aprendizado espiritual e ajuda as pessoas a refletirem sobre a vida. Participou como convidada de inúmeros programas de rádio e televisão. Durante sua jornada como comunicadora entrevistou diversas personalidades, entre elas, Toquinho.

Toquinho

É… parece que os sonhos se realizam. Foram três anos de tentativas, telefonemas, emails… até que, finalmente, uma oportunidade!

Toquinho é bem humorado, carismático e inteligente. Minha admiração por ele aumentou quando conheci o seu CD, Canção dos Direitos da Criança.

Toquinho, cujo nome é Antonio Pecci Filho, nasceu em 6 julho de 1946, na cidade de São Paulo. O apelido Toquinho foi dado por sua mãe e já aos quatorze anos ele começou a ter aulas de violão com Paulinho Nogueira.

Toquinho foi muito amigo de Vinicius de Moraes, formando uma sólida parceria que durou onze anos (e encerrou-se com a morte de Vinicius de Moraes), 120 canções, 25 discos e mais de mil espetáculos.

A música “Imaginem” (cantada por Eduardo Dusek, no CD citado), é a música tema do meu programa na Rádio Mundial FM 95,7.

Entrevista com Toquinho

Entrevista realizada em 20 de Maio de 2003, no Hotel Hyatt em São Paulo, e transmitida pela Rádio Mundial de São Paulo – FM 95,7, no dia 13 de Junho de 2003.

Eliane de Araujoh – Estou aqui com o Toquinho que é violonista, músico, compositor, além de transmitir uma ternura imensa nas suas composições, nas suas músicas. Fale um pouco do Toquinho, definindo o Toquinho pelo próprio Toquinho. Defina-se.
Toquinho – É … pelo menos eu posso me definir nas tentativas de ser como eu espero ser… Um dia ou daqui um tempo, quer dizer, a gente sempre se aprimora, sempre cresce, sempre tenta melhorar na vida.
É, eu acho que eu sou contra as injustiças, uma coisa que me irrita profundamente é injustiça em qualquer setor em qualquer intensidade, e quando feita comigo então, é uma coisa que me deixa muito… bem chateado, é … Sou uma pessoa muito aberta que procura olhar a vida como ela é, as coisas como são, sem muito mistério e sem muito folclore. Aliás eu sou contra o folclore, não tenho folclore nenhum, eu vejo tudo como realmente é, a vida como é como ela se apresenta para mim. Eu não tenho nem muita ilusão das coisas eu sou uma pessoa meio fatalista, e ao mesmo tempo com um realismo muito prático, eu procuro… até os problemas mais sérios eu procuro resolver de uma forma amena.

Eliane de Araujoh – Além do CD “Canção dos Direitos da Criança” você tem outros trabalhos voltados à criança. Quais são esses trabalhos?
Toquinho – Eu fiz quatro discos na minha trajetória musical, quatro discos infantis, dois “Arca de Noé”, que eu fiz com Vinícius de Morais, “Casa de Brinquedos” que eu fiz praticamente todo com Mutinho, e uma faixa com meu irmão, e “Canção dos Direitos da Criança” que eu fiz com Elifas Andreato. São esses quatro discos e tem um outro projeto que já esta crescendo na cabeça da gente, “da gente” eu digo, na cabeça do Elifas e minha.

Eliane de Araujoh – Então, vocês continuam trabalhando juntos?
Toquinho – É… geralmente ele me dá, quando eu trabalho com ele, toda uma idéia, e depois o trabalho fica realmente comigo. Porque eu sou o compositor, eu tenho que fazer a música e tal. Mas ele está sempre por trás, em orientação, em medidas, em limites. O Elifas é um artista plástico da maior qualidade, um ser muito maravilhoso, e é um ser humano bem intencionado, isso que é importante.

Eliane de Araujoh – E quanto ao CD “Canção dos Direitos da Criança”, qual foi seu objetivo? Quando você fez a concepção desse trabalho… que fase de sua vida… ?
Toquinho – Esse disco me lembra uma fase onde eu tinha me separado pela primeira vez, da mãe dos meus filhos, da minha “ex-mulher”, porque são duas separações. É a primeira vez que eu estava separado. Eu me lembro que nós vivemos fazendo esse disco, essas canções, com esse clima de liberdade, de novo namoro, aquela coisa toda, então eu me lembro que a fase da minha vida era essa. Nós trabalhamos muito nesse disco, nesse projeto, o Elifas e eu, e acreditamos muito nele. Infelizmente, ele não teve a divulgação que ele merecia e que ele merece, mas eu acho que ele tem uma continuidade muito grande. Até hoje, as pessoas parece que vão conhecendo ele aos poucos, e vão dando uma dimensão, uma importância cada vez maior para esse disco, que já tem um tempo, já é uma segunda gravação, já teve uma primeira só eu cantando. Esse já é uma segunda gravação com vários artistas conhecidos. Acho que esse disco vai ficar em catálogo para o resto da vida, pelo menos quem sabe depois da minha morte.

Eliane de Araujoh – É Toquinho, você é um semeador, que tem sementes espalhadas não sabe nem por onde! Saiba que esse disco faz muito sucesso com as professoras, nas escolas… Agora uma curiosidade minha, quanto a música “Aquarela”. Como é que foi a composição dela, onde é que você estava, bem… o que te inspirou “Aquarela” ?
Toquinho – Menina, essa música foi uma trabalheira danada. Não foi nem uma inspiração. Ela é fruto de uma junção de uma série de fatores, de amizades, de trabalho de compositores. Eu tenho parceria com o Maurício Frabizo e o Guido Moro, que são dois autores italianos e eu fiz uma parte da melodia. Quando eu lia a letra em italiano realmente eu fiquei muito satisfeito, fiquei impressionado com a criatividade da letra e tudo, e eu fiz uma tradução para o português, mas demorou muito para fazer, porque a música é complicada, ela não é curta, ela é longa, e ela é muito trabalhada, se você ver bem na letra e tudo, é uma coisa bem detalhada, cada rima, cada situação. A idéia era tão boa que eu desperdicei um tempo muito grande para faze-la num nível da dimensão dela. Acho que eu consegui, não só em português como em italiano, nós conseguimos uma dimensão grande por essa musica, que tem um carisma impressionante.

Eliane de Araujoh – Por isso que ela é um sucesso até hoje! Toquinho, fale sobre a sua vida com Vinícius …
Toquinho – Ah!! Era uma farra, uma maravilha, era uma festa… e de vez em quando agente trabalhava!!! E, digo trabalhava assim, shows, viagens, tal, mas era muito gostoso tudo. A gente fazer canção o tempo inteiro, tudo era motivo para se fazer uma música, a gente conciliava o trabalhava com o puro prazer de estar fazendo aquele ofício!!
Então foi uma sensação muito boa para mim, esses anos todos que eu vivi com o Vinícius. Eu tenho uma sensação de paz, porque eu acho que nós nos sugamos o tempo inteiro o máximo que podíamos sugar um do outro, ou um ao outro. É… foram de uma intensidade tão grande esses dez anos e eu acho que eu tirei um proveito enorme da relação com o Vinícius. É, eu tirei proveito em termos humanos, poéticos, como compositor, como autor, eu acho que eu cresci muito junto com Vinícius e ele ficou muito mais jovem comigo.
Eu acho que foi um casamento sem sexo, mas perfeito !!!

Eliane de Araujoh – É uma troca?! Laços eternos !!! Como é sua relação com a família? Você tem filhos, você comentou… Quantos filhos você tem?
Toquinho – Eu tenho dois, são duas paixões de minha vida, eu cada vez gosto mais deles, e não sei onde é que vai parar esse amor, é uma coisa incrível. O Pedro que tem dezoito anos, e a Jade. Eu gosto tanto, eu amo tanto eles… assim… que estar do lado deles para mim já é uma felicidade enorme. Eu vivia com eles porque eu era casado com a Mônica, e quando nos separamos fisicamente né!?, É claro, que eu acabei indo para uma outra casa, e elas vivendo com eles. Mas eu não tenho mais o contato que eu tinha, mas eu falo com eles todos os dias, eu os vejo praticamente três, quatro, cinco vezes por semana e eu estou sempre com eles… Eu acho que a família você constrói, mesmo não vivendo mais junto com ela. Se você tiver uma relação boa com a tua ex-esposa, como eu tenho com a Mônica (e é uma coisa raríssima), e a gente continua com essa família de qualquer maneira. Família você tem e você nunca mais deixa de ter.

Eliane de Araujoh – Toquinho você teve dificuldades no início de sua carreira? O que você diria para as pessoas que estão começando, quanto às dificuldades do início mesmo?
Toquinho – Olha eu acho que se você insistir, você ter uma perseverança, você insistir com seu trabalho e plantar o máximo possível de situação, para essas situações se reverterem a seu favor. Quanto mais opções você tem, quanto mais abertura você consegue na tua possibilidade de trabalho, mais fácil vai ser achar um caminho, uma porta aberta. Porque é tudo muito difícil, as vezes só muito talento não adianta, então a pessoa, infelizmente tem que ter sorte e talento é uma das coisas. Eu conheço, muita gente, com muito talento e que infelizmente não teve sorte na carreira artística.
Quem sabe quantos Toquinhos tem por aí que não tiveram várias circunstâncias e não foram pra frente? Eu talvez soube aproveitar bem minhas oportunidades, eu acho que você tem que saber aproveitar as oportunidades que te surgem, e não são tantas assim não. Agora, se você não sair da sua casa, não arregaçar a s mangas e for pra rua, as oportunidades também não aparecem. Eu acho que é uma conjunção de fatores, e uma junção de atributos. Então você tem que ter uma atitude para poder criar possibilidades, e quando surgirem essas possibilidades tem que agarrá-las com unhas e dentes mesmo, e botar o teu talento pra for a. Tem que estudar muito, se é cantando, se é um instrumento, estude! Estude! Estude! Todo dia porque na hora que você sobe no palco, o que vai prevalecer, são as horas de estudo que vão te segurar, entendeu?
Porque o palco é um lugar muito perigoso, muito traiçoeiro. Ele faz tudo para você esquecer a situação, esquecer o que você está tocando, esquecer a letra. Porque você fica muito disperso no palco. É difícil um artista ter um poder de concentração muito grande. Porque aqui no quarto você toca de uma forma, quando você subir no palco, você vai tocar essa mesma música de uma outra forma, porque você precisa estar com a técnica absolutamente segura para poder ter uma execução segura e importante.

Eliane de Araujoh – Toquinho, qual é a sua definição de sucesso… O que é sucesso para o Toquinho?
Toquinho – Sucesso eu acho que é antes de mais nada o reconhecimento das outras pessoas em relação a que você faz. Pode ser médico, pode ser um pintor, pode ser um advogado… é … quando reconhecem o teu valor de alguma maneira, ou falando, ou te elogiando, ou demonstrando esse afeto esse reconhecimento. E quanto maior for esse público, maior o sucesso; O sucesso está no reconhecimento das pessoas e na entrega que as pessoas tem ao carisma de quem faz sucesso. Eu não acredito que tenha uma pessoa que faz sucesso sem carisma nenhum, acho muito difícil. O carisma está junto com o sucesso, ou casado com o sucesso. Às vezes a pessoa não é nem tão boa, e tem muito carisma. Às vezes ela é muito boa e tem pouco carisma. Mas carisma ela tem, então, eu acho que é o reconhecimento do que faz e a entrega das pessoas ao carisma dessa pessoa que faz sucesso.

Eliane de Araujoh – É eu coloco assim, sobre carisma, que quando a alma se manifesta tal qual a ela é, damos a isso o nome de carisma.
Toquinho– Essa é boa hein? Vou aproveitar…

Eliane de Araujoh – Essa frase é minha e está no meu livro, eu sou escritora… Toquinho, agora uma mensagem final para os ouvintes.
Toquinho – Mensagem final? Meu Deus !!!

Eliane de Araujoh – É… de coração para coração… Porque o pessoal te ama…
Toquinho – Se eu soubesse dar mensagens !!! … eu… quando me pedem uma mensagem, em qualquer situação, a melhor salvação que você tem é ser honesto, porque quando você é honesto você se salva, sempre se sai de qualquer situação
Ah!! Bom… mensagem… é… Falando em honestidade, eu acho que esse é um atalho muito importante para você chegar um pouquinho mais perto da felicidade. Você ser honesto. Ser honesto não quer dizer só falar a verdade, para o outro, para o amigo. Ser honesto é você ser honesto consigo próprio. Ser honesto é você fazer o que você gosta na sua vida. Ser honesto é você brigar para ter em torno de você só o que realmente é caro para você. Isso em lance profissional, no teu esporte, na tua roupa, nas tuas horas de sono, na hora que você que tocar um instrumento. Pode ser às cinco da manhã, às sete da manhã, às quatro da manhã, às duas da tarde, e então quando você se rodeia de honestidade, e faz o que você realmente gosta e acreditar. Eu acho que é a maneira de você viver alguns momentos felizes, então esse é… se é que se pode dar um conselho, é o conselho pelo menos da minha experiência.

Eliane de Araujoh – Bem Toquinho… para ser honesta com o meu coração eu vou fazer uma coisa que os ouvintes estão com vontade… posso te dar um beijo ?
Toquinho – Pode !!! e com barulho!

Eliane de Araujoh – “Smack” Obrigada… de coração mesmo, valeu!

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